Voa, amiga!

Voa, amiga!
(Para Célia Maria Rocha, minha amiga e colega médica)

Recebo a notícia daquela morte,
Da sua morte,
Que não parece ser sua.
É um dia cinza e o choro vem fácil.
Vêm fáceis também os pensamentos e
O sentimento de culpa que sempre reinam nessa hora.
Passei a semana dizendo que iria lhe ligar
E soube que você disse o mesmo.

Jaz o seu corpo na pedra,
Mas não vejo a tristeza.
Vejo-a como uma arara-azul.
Vejo-a como uma águia.
Aliás, sempre a vi.
Nunca houve cadeira de rodas e triciclo
Que não a fizessem voar.
Pelo contrário, conferiam a liberdade de que precisava.

E aos poucos, refletindo, vou conseguindo repetir:
“Vai, amiga! Voa! Voa alto!
Pois sei que as trilhas onde, agora, você se encontra
São para deslumbrar, para vislumbrar,
Para se deixar estar em paz, descansada
Afinal de contas, o trabalho e a vida foram árduos por aqui,
Mas seu brilho foi farol para muitos e para mim”.

Na minha memória, ainda estão a sua alegria reinante,
A sua força e a sua coragem.
Pois, então, amiga, fica a saudade da sua alegria…
Fica a saudade das suas loucuras que também faziam-nos voar.
Mas digo: “Voa, amiga! Voa! Vai em paz! Aqui, seguiremos seu rastro”.
Licia CostaPinto
Abril 2016

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